Apesar da gigantesca dificuldade técnica, estilística e expressiva, a Música é com absoluta certeza a parte mais fácil de uma carreira.
Na minha experiência pessoal vencem em dificuldade a navegação decontratos, decisões, manejo do tempo e da vida… e escolha da bendita roupa da apresentação. Deste, do passado, do próximo. Sempre a roupa! De gala, mas que não me deixe com cara de madrinha de casamento. Que fale do texto, que antecipe ao público a experiência de tocar algo tão sagado e belo sem desviar a atenção para minha pessoa.
Que luta, minha gente.
Caminhando por meu álbum de fotos fica claro meu desconforto, desinteresse e tentativas frustradas de vestir-me de alguma maneira interessante para uma artista. Houve épocas em que me rebelei e adotei por quase uma década a mesma roupa, e esse foi um tempo feliz da minha vida artística, confesso.
Até que um dia inventaram as redes sociais e as gravações para a tv: pronto, eu tava lascada e cada curva desta estrada passou a ser perigosa.
Estou preparando as sublimes e dificílimas canções de Richard Wagner sobre textos de Mathilde Wesendonck e, adivinhe, quem me tira o sono não é a música, mas a roupa.
Olho para Jessye Norman como inspiração de elegância e tento encontrar o equilíbrio entre achar e não achar isto assim tão importante:
